Henrique Lemes

A arte de Henrique Lemes
Por Elizabeth Nasser -
Coordenadora e Curadora

Inquieto, curioso, sedento de saber, em 1981 o jovem Henrique Lemes deixou Uberlândia- MG para ir morar no Rio de Janeiro onde conheceu o poeta Thiago de Melo que o encaminhou ao atelier do artista e gravador Ciro Fernandes, responsável pela sua iniciação na técnica da xilogravura.
Durante sua permanência na “cidade maravilhosa”, Henrique convive com artistas importantes como: José Sabóia, Ernani Pavanelli, Nelson Porto e Crisaldo Moraes, que o estimulam a investir cada vez mais em seu talento.
Em 1982 o artista voltou à terra natal, fortalecido pelas experiências vividas, pleno de sonhos e desejos, dedicando-se à xilogravura, agora, em contato com o Mestre Gravador Maciej Babinski, Lucimar Bello e Maurício Nacif, professores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Junto com o artista plástico Hélvio Lima, fundou, em 1983, o atelier-escola MBOITATA e, em 1984, coordenou o setor de Artes Plásticas da Secretaria Municipal de Cultura.
Como coordenador, em 1986, Henrique convidou o amigo e artista plástico Darlan Rosa para participar de um projeto para crianças- contar histórias e ilustrá-las simultaneamente.   
Convidado a expor suas obras em Bremen-Alemanha, em 1992, Henrique não hesitou: partiu para desbravar novos caminhos, adquirir conhecimentos e vivenciar novas experiências. Na Alemanha, terra do grande renascentista Albrecht Durer, Henrique é por ele influenciado e herda, nas linhas, o rigor do seu desenho. Ao mesmo tempo, percebe-se, na temática e nas cores de seus quadros, o espírito terno, saudosista e cultural que está sempre presente em suas obras e a todos seduz.
Figuras humanas, pássaros, chá, café, cacau e futebol, temáticas bem brasileiras, agora gravadas em seu atelier em Bremen, deixam claras as influências do olhar sobre o Velho Mundo, aliadas às marcas advindas com o desenvolvimento de novas técnicas e à permanente inquietude própria dos talentosos para quem tudo “ainda não está perfeito”.  Tudo perfeitamente integrado.
Vivendo há 19 anos na Alemanha, dos quais  um ano em Siena-Itália, Henrique é reconhecido pela crítica alemã como um grande representante da inovação na técnica da xilogravura contemporânea.


Henrique Lemes
Por Maciej Babinski

“Henrique Lemes nasceu em 1960 na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Em 1981 parte para o Rio de Janeiro em busca de aprendizado na técnica de gravar e imprimir imagens a partir de matrizes de madeira ou de compensado de madeira.
De volta à sua cidade em 1984 trabalha na Secretaria de Cultura, na área de Artes Plásticas, também executando painéis para prédios na cidade.
A partir de 1993, então com 33 anos de idade, passa a viver e trabalhar como artista plástico na cidade de Bremen, na Alemanha, tornando-se assim mais um artista expatriado em busca de condições melhores para viver do seu trabalho. Condições essas que de fato encontra, passando a exercer intensa atividade relacionada com a sua postura de artista plástico, diversificando-a em várias direções:
Expõe, executa encomendas e ministra oficinas nas férias de verão.
Passa a ser solicitado por firmas que importam “Commodities” Brasileiras como o café, para executar trabalhos com a temática orientada a promover o seu consumo na Alemanha.
Tudo isso torna possível para Henrique viver economicamente da sua Arte: fato em si notável que ele conseguiu com capacidade e muito trabalho, e que foi reconhecido no ambiente que ele escolheu para viver.
Ajudou, certamente, o fato de a Alemanha ter uma longa tradição nas Artes Gráficas, por ter sido o berço de grandes Mestres da Gravura e de importantes avanços tecnológicos na produção de materiais  impressos, resultando numa cultura voltada para desenho, gravura e livros gerando curiosidade, produção e apreciação das Artes Gráficas em geral.


BEM TE VI
Por Rainer B. Schossig -
Jornalista de rádio e crítico de arte em Bremen (Alemanha)

“De sua terra natal ficaram os animais que o Henrique trouxe: Ora um cachorro, ora um pássaro, ora um peixe, todos naturalmente em conversa com o ser humano.
Cada gravura se transforma em uma arca de Noé onde as criaturas se respeitam e se estimam, tratando-se com cuidado, contemplando-se alegremente uns aos outros- como no primeiro dia da criação: “Bem te vi”. É o motivo de uma gravura que mostra um desses pássaros da família dos tiranídios que em muitas das imagens de Henrique estão fazendo troça. O nome desse pássaro também significa: Bom te ver- é essa a mensagem de quase todos os quadros de Henrique Lemes. Sempre são os olhos que neles tem o papel principal: Azuis como o gelo e duros, ou de cor castanho escuro, meigos e quentes. Todos se olham, se afundam no olhar do outro, sejam eles pescadores, intelectuais ou atletas- ou namorados... São os olhos que contam as histórias de Henrique Lemes”.


Currículo de Henrique Lemes

Exposições Individuais
- 1982 - Galeria ARQTIS, Uberlândia, MG.
- 1984 - Galeria “A“ Fundação Cultural de Brasília.
- 1986 - Galeria de Arte Geraldo Queiroz, Uberlândia, MG.
- 1992 - Galerie El Patio, Bremen, Alemanha.
- 1993 - Galerie Gerhard, Bad Berleburg, Alemanha.
- 1994 - Wort und Bild, Bochum Alemanha.
- 1995 - Galerie Kunstverein Osterholz, Osterholz-Scharmbeck, Alemanha.
- 1995 - Galeria Elisabeth Nasser, Uberlândia, MG.
- 1995 - Wort und Bild, Bochum Alemanha.
- 1995 - Galerie Gerhard, Bad Berleburg, Alemanha.
- 1997 - Forum Book Art, Hamburg, Alemanha.
- 1998 - Galerie Reinfeld, Bremen, Alemanha.
- 1999 - Galeria Elisabeth Nasser, Uberlândia, MG.
- 2000 - 12 Th ECF European Coffee Congress and Exhibition, Congress Centrum Bremen, Alemanha.
- 2000 - Galerie Reinfeld, Bremen, Alemanha.
- 2001 - Galerie Banque Populaire du Nord, Lille, França.
- 2002 - Galerie ARAUCO, Nürnberg, Alemanha.
- 2005 - Galerie Brandt Credo, Bremen, Alemanha.
- 2006 - Druckstube des Museums im Alten Schloss, Neustadt, Alemanha.
- 2006 - “Futebol-portão para o mundo”, Galerie ARAUCO, Nürnberg, Alemanha.
- 2009 - Galeria Elisabeth Nasser, Uberlândia, MG.
- 2010 - Galerie ARAUCO, Nürnberg, Alemanha.
- 2011 - Galeria “Vitrine” da Caixa Cultural de Brasília.

                              
Exposições Coletivas
- 1984    Galeria de Artes Reis Junior-FIUBE, Uberaba, MG.
- 1986    Galeria SESC PAULISTA, São Paulo, SP.
Prêmiado no Salão de Arte “MARP“ SESC, Ribeirão Preto, SP.
- 1987    Prêmio gravura, 1° Salão de Artes do Triângulo, Patrocinio, MG.
Galeria Lourdes Saraiva, Uberlândia, MG.
- 1988    Galeria Solar do Barão, Fundação Cultural de Curitiba, PR.
- 1993    Portal Galerie, Bremen, Alemanha.
- 1999    1°  Norddeutsche Handpressenmesse, Museum der Arbeit, Hamburg, Alemanha.
“Do sonho ao Sonhador“, Museum der Stadt Bad Berleburg, Alemanha.
- 2000 - “Saudade“,  Espace Pierre Cardin, Bruxelles, Belgica.
-2000 - “Nos vivemos aqui“, Kubo, Haus für Kunst, Bremen, Alemanha.
- 2002 - Galerie im Foyer des internationalen Theaters Frankfurt, Frankfurt a. M., Alemanha.
- 2006 - “Descubra o Brasil!“,  Galerie am Rathaus, Norderstedt, Alemanha.
- 2008 - Galerie Klostermühle Hude, Hude, Alemanha.
- 2011 - Galeria Elisabeth Nasser, Uberlândia, MG.

Outros Projetos
- 1984 - Ilustração, xilogravuras para o Livro “Bicho-do-Mato”, Escritora Martha Azevedo Pannunzio, Editora José Olimpio, RJ.
- 1988 - Painéis “TRAMAS”, fachadas do Centro de Fiação e Tecelagem de Uberlândia, MG (Andrade e Guerra Arquitetura).
- 1989 - Painel do Edifício Rocha e Silva, Uberlândia, MG (Modo Arquitetura).
- 1991 - Painel “RESSURREIÇÃO”, fachada do Cemitério São Pedro Uberlândia (MG).
- 1993 - Ilustrações “Meninos de Rua”, para o Jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, Frankfurt a. M., Alemanha.
- 1996 - Ilustração, capa do Livro “A irmã da Chapeuzinho Vermelho”,  Escritora Elisa Hilty, Editora Zytglogge, Bern, Suiça.
- 2002 - Álbum / Objeto, com xilos sobre o tema “Café” para a Empresa Coffein Compagnie, Bremen, Alemanha.
- 2008 - Xilogravura para Design, jogo de porcelanas e lata de café, Empresa Alois Dallmayr Kaffee, München, Alemanha.
- 2008- 2011 - Quatro xilos, temas “Café, Cacau, Algodão e Chá”, Empresa Berthold Vollers, Bremen, Alemanha.
- 2000- 2010 - Durante este período coordena a oficina de xilo “VERÃO-INVERNO”, no Centro Sócio Cultural BUS, Bremen, Alemanha.